quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Comparativo do Golpe Paraguaio com a Situação Atual









     Eu concordo que existam bastantes similaridades nas situações vividas pelo Paraguai - quando do impeachment do ex-presidente Lugo - e a situação atual vivida na política brasileira, ainda que algumas diferenças sejam bastante significativas.

     O ex-presidente Lugo representou um rompimento, um curto rompimento bem verdade, das forças hegemônicas que governam o Paraguai desde há muito tempo. Essa hegemonia pode ser ilustrada pela continuidade dos dois principais partidos políticos do país durante décadas, inclusive em seu período ditatorial. Mutatis mutandis podemos dizer que o PT também representou mais ou menos um rompimento histórico de forças hegemônica - ainda que tenha sido necessário um acordo político para a sua permanência e mesmo chegada no poder - ilustrado pelo ineditismo de um governante brasileiro assumidamente, ou ao menos alegadamente, de esquerda ter terminado um mandato eletivo no Brasil.

    Os meios de comunicação, instrumentalizados ou como eles próprios representantes de uma força política importante, também parecem atuar de forma similar em ambos países, atribuindo atos repudiáveis diretamente aos seus respectivos presidentes de forma incessante (como conflitos armados no caso paraguaio e corrupção no caso brasileiro) e praticamente uníssona, com um discurso também similar de exclusividade e ineditismo. O convencimento das pessoas de que tais atos, inadmissíveis sob qualquer vertente política, sejam de fato de responsabilidade dos respectivos governos, contribui significativamente para a queda da popularidade.

     Esse convencimento popular, no entanto, não é exatamente igual. Parece-me que no caso paraguaio se deu de forma menos “sofisticada”, utilizando-se predominantemente dos meios de comunicação e de uma permanente instabilidade política. No caso brasileiro, o convencimento popular parece se dar de forma mais sofisticada, inclusive pela dimensão continental brasileira. Sem tirar a importância fundamental dos meios de comunicação, destacam-se as manifestações populares para a erosão da popularidade da Dilma. A sofisticação pode ser especulada pelo fato dessas manifestações serem alegadamente sem liderança definida, apartidária, estimulada exclusivamente pelas redes sociais, em contrapartida ao custo efetivo para o chamamento e realização dessas manifestações, bem como pelo foco coordenado delas.

     Deve-se destacar também, no caso brasileiro, a insatisfação da própria base de sustentação política do atual governo face a política econômica adotada no segundo mandato da presidenta, como fator de extrema importância para a erosão da popularidade do atual governo.

     Outro fator que aparentemente individualiza ambas situações está relacionado às condutas de âmbito pessoal de ambos. No Paraguai foi possível estigmatizar e explorar supostos “desvios de conduta” (sob a perspectiva católica dos valores morais) do ex-presidente e bispo paraguaio, que contribuíram fortemente para a desestabilização política e erosão da sua popularidade. Por enquanto, no Brasil, ainda não foi possível um discurso nos mesmos moldes surtir efeitos.

     No âmbito político, ambos governos ou tiveram (PY) ou têm (BR) alianças de coalizão frágil de sustentação do poder. No caso do Lugo principalmente com os liberais autênticos, e no caso brasileiro com o PMDB. Esses partidos de sustentação também apresentam similaridade curiosa: eram os partidos legitimados de oposição nas ditaduras de seus países

     Mas deve-se destacar que a organização política petista é imensamente mais densa em relação àquela do ex-presidente paraguaio. No caso do último, o presidente não pertencia a nenhum dos partidos mais influentes e importantes daquele país. Já no Brasil, o PT e PSDB são certamente partidos de extrema importância nacional.

     Já no âmbito de estrutura política, ambos os países têm similaridades marcantes: um sistema político presidencialista, que não autoriza seu legislativo a retirar o presidente do poder por discordância política, ou mesmo por impopularidade alegada ou efetiva. Os legislativos podem (e devem) julgar seus presidentes quando houver cometimento de crime (e ainda assim crimes bem específicos), pelo equilíbrio dos poderes. No entanto, em ambos países parece que o julgamento político ou vem se travestindo de julgamento criminal (no caso brasileiro) ou efetivamente se travestiu de julgamento criminal (no caso paraguaio), de modo que efetivamente não ficou demonstrada, ao menos de forma inequívoca, a responsabilidade efetiva dos governantes sobre os fatos que lhes são atribuídos, fator que deveria ser primordial para a condenação.

     No caso paraguaio é realmente instigante sua suprema corte ter sido unânime em decretar a legalidade do impedimento. No caso brasileiro não há indicativos dessa unanimidade, possivelmente pelo maior tempo de governança petista, e portanto por ter participado diretamente da composição atual da suprema corte. A similaridade, no entanto, pode ser apontada nas posições predominantemente política que alguns ministros do STF vêm externando, o que certamente contribui para uma percepção de instrumentalização do judiciário que ultrapassa os limites da suprema corte. Restar dúvidas em relação à independência política do judiciário como um todo contribui sobremaneira para a fragilização institucional desse Poder.

     A busca incessante por motivos que possam vir a justificar especialmente face a opinião pública o impedimento é outra similaridade interessante. Em um caso de julgamento criminal, espera-se que primeiro haja o cometimento do crime em si, para depois o julgamento e a decretação de sua pena. Nos casos brasileiro e paraguaio ao contrário, ocorre o inverso, ou seja primeiro busca-se o impedimento (julgamento criminal), e para tal, se tenta justificativas que legitimem esse desejo, ou ao menos que deem ares de legitimidade, que seriam os motivos.

     Destarte, parece que o objetivo principal de uma parcela importante da oposição brasileira é manter a fachada institucional de deposição política, o que configuraria efetivamente um golpe branco brasileiro. E nesse sentido, a similaridade com o golpe paraguaio é latente.

     Nesse quadro, o papel do judiciário ganha importância central na política latino-americana, ao legitimar ou deslegitimar julgamentos. Percebe-se, assim, que os golpes brancos dependem fundamentalmente de instituições fracas, que se abstenham de cumprir com o seu papel basilar, a fim de atender interesses de grupos específicos.

     Por outro lado, o caso brasileiro tem uma particularidade interessante: os dois partidos mais influentes atuantes hoje lutaram efetivamente pela redemocratização. Certamente realizar um golpe branco no Brasil nessa circunstância, ou seja, com o apoio de partidos que lutaram pela redemocratização, é uma diferença importante ao caso paraguaio. Como é de se esperar, há quadros importantes contrários à esse caminho na situação mas, diferentemente do caso paraguaio, aparentemente há também quadros importantes na oposição contrários ao atalho pelo poder.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Aguardano o post da Soninha pelo "fim das ruas"....




A Soninha postou um texto detonando as ciclovias, por conta de um atropelamento fatal de um ciclista em um pedestre.
O texto é super bem escrito e pede implicitamente pelo fim das ciclovias.
Ela explicitamente põe a culpa na ciclovia:
" Essa morte é consequencia da obra mal feita, não de um choque acidental. Em outros trechos de ciclovia pela cidade(...)"  (veja aqui)

Acontece que o acidente não foi na ciclovia... foi na rua.
"Ciclista diz que estava fora da ciclovia no momento do acidente - Estadão"

E agora, a Soninha vai fazer campanha pelo fim das ruas? Ou talvez para ampliar as ciclovias? Ou ela vai assumir que usou uma tragédia para se promover politicamente?






Bom dia... e boa sorte!

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Não fica mais claro que isso:




Constituição de 1988
Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta:
...
§ 5º A MATÉRIA constante de proposta de emenda REJEITADA ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa.






melhor frase que li:
Se o Cunha fosse presidente da CBF, o 7x1 não teria valido.



http://www.cartacapital.com.br/blogs/parlatorio/com-nova-manobra-de-cunha-camara-aprova-reducao-da-maioridade-penal-4715.html

http://josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br/2015/07/01/pela-anulacao-do-7x1-cunha-na-chefia-da-fifa/

http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/joaquim-barbosa-critica-%E2%80%98pedalada-regimental%E2%80%99-de-cunha/

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm

quarta-feira, 1 de julho de 2015

segunda-feira, 25 de maio de 2015

quarta-feira, 15 de abril de 2015

As duas faces da moeda...



um lado da moeda (clique e saiba mais)


e




O deputado Jair Bolsonaro do PP diz que 
"patrões deveriam pagar salários menores para as mulheres",
porque elas engravidam...



...e o outro lado da moeda (clique e saiba mais)





Boa noite... e haja sorte







sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Por trás das máscaras

Caros amigos,


Nas eleições do 2o turno, eu discordo fortemente daqueles que acreditam que “tanto faz”, “que são todos iguais”, ou ainda “que estamos entre o péssimo e o menos péssimo”.



Tentarei expor aqui as diferenças que balizaram a minha escolha, na esperança de ampliar a discussão e na convicção de que há "muito interesse por trás" para que as informações fiquem tão truncadas como estão, com propostas até aparentemente parecidas.... aparentemente.

(em tempo: A candidata que eu votei no 1o turno não está no 2o turno)
(em tempo 2: O texto é longo !!!! Mas como decidir quem seria melhor presidente com um texto curto???)













ECONOMIA


Breve relativização histórica:
  • O liberalismo confrontava o sistema absolutista vigente. 
  • Pregava maior participação política e menor Estado (Estado Mínimo vs um Estado Personificado/ Autoritário). Era um confronto com o sistema político vigente. (e portanto sofreu resistência dos conservadores da época (se vc preferir, da direita da época). Estamos no séc XVIII-XIX, (As revoluções liberais de 1848 são uma boa referência)
  • Com o tempo surgiu o conceito de Estado do Bem Estar Social, que pretendia efetivar os direitos humanos universais. (O Estado não deixaria apenas de ser personificado, mas deveria garantir a todos os cidadãos condições mínimas de dignidade humana. Assim o Estado atuaria para além da regulação do mercado, como atuante efetivamente).
  • Como revisão do liberalismo, e em contraposição ao Estado do Bem Estar Social,  surgiu o neoliberalismo – que prega o Estado mínimo com regulação do mercado, e acredita que assim a individualidade de cada um será responsável pela seu próprio bem estar. (nesse momento, por priorizar aqueles que já estão em uma situação confortável, sofre resistência dos subversivos – ou da esquerda, se você preferir)
  • Foi nesse contexto (neoliberalismo) que surgiu o “Consenso de Wasginton”, que tinha uma agenda (ou se vc preferir, "sugestões") para os países ricos e outra para os países pobres.
  •  A análise dessas "sugestões" não deixa dúvidas quanto aos objetivos da proposta:
    • Dominar economicamente os países periféricos, por:
      1.  Garantir a expansão das empresas dos países centrais e, portanto
      2.  Garantir a sua hegemonia (impossibilidade de concorrência com os países periféricos),

  • Por que? Porque na prática estabelecia uma disputa entre desiguais, onde só poderia haver um vencedor - os países de industrialização de ponta, ou os países centrais, além de exigir toda sorte de favorecimentos às empresas estrangeiras (desses países centrais), como taxas de câmbio favoráveis.
(para mata a curiosidade, eis o itens do Consenso de Washington)
  • Aos países ricos:
    • 1) Privatizações (Diminuição do Estado)
    • 2) Cortes de Assistência Social (Reforma do Estado do Bem Estar Social)
    • 3) Desregulamentação (Afrouxamento das leis econômicas e trabalhistas)
    • 4) Abertura Comercial
  • Aos países pobres (ou subdesenvolvidos, ou periféricos, ou o Brasil)
    • 1) Privatizações
    • 2) Redução dos Gastos Públicos
    • 3) Desregulamentação (Afrouxamento das leis econômicas e trabalhistas)
    • 4) Abertura Comercial
    • 5) Atração de investimento estrangeiro direto (com eliminação de restrições alfandegárias, taxas de juros favoráveis)
    • 6) Reforma tributária (eliminação de impostos sobre remessa de lucros, favorecimento das empresas, etc)
    • 7) Liberalização Financeira (Instituições financeiras com liberdade para atuar – sem restrições à empresas estrangeiras, etc)
    • 8) Câmbio Variável adequado ao mercado
    • 9) Direito à propriedade, inclusive à intelectual
    • 10) Disciplina fiscal.

Agora vejamos a situação do 2o turno:



  • O Aécio e o PSDB se aproximam do neoliberalismo.

    • ( O FHC inclusive adotou grande parte das “sugestões” do Consenso de Washington: privatizações - por preços inclusive inferiores aos investimentos nas empresas estatais - desregulamentação, etc.)
    • O Aécio se comprometeu a:
      •  Tomar atitudes impopulares pelo “bem do crescimento da economia” (leia-se sistema financeiro)
      •  Agir de modo a favorecer os acionistas das empresas estatais.

    • Além disso, no discurso do Aécio, há uma crítica com viés mercadológico das empresas estatais que eu não concordo.
    • O foco são os acionistas. Assim, as empresas estatais governadas com essa ideologia param de investir (porque a curto prazo investimento não gera lucro), as vezes não fazem nem os investimentos básicos necessários - por exemplo a SABESP, há 20 anos controlada pelo PSDB, não investiu o que precisava e assim São Paulo está ameaçada de ficar sem água. (Ainda que no discurso eleitoral oficial o problema seja relegado à São Pedro, quando vc tem a informação de que os encanamentos de abastecimento da rede da SABESP têm uma taxa de desperdício - é água vazando mesmo - de entre 32 a 45%, a depender da fonte consultada, fica claro que com um planejamento e investimento adequados, não passaríamos por isso.


  • A Dilma e o PT nessa eleição se aproximam mais do Estado do Bem Estar Social
    • O governo da Dilma se comprometeu com a:
      • Prioridade na erradicação da miséria 
      • saúde e educação públicas (plano de carreira para professores, "mais especialidades", royalties do pré-sal para saúde e educação)
      • prioridade de transportes públicos de grande volume  (PAC mobilidade)
      • Empresas estatais em prol do bem nacional (ver abaixo)
Algumas observações minhas sobre esse último item:


  • Pra mim está claro que as empresas estatais devem ser utilizadas para o bem da população – e não para o bem dos seus acionistas.
  • Por exemplo: manter a energia elétrica mais barata só trás benefícios ao Brasil como um todo – apesar de não trazer lucros aos acionistas
  • Energia elétrica barata significa maior competitividade dos produtos industrializados brasileiros e menor inflação, portanto melhores condições de vida especialmente para quem sobrevive com um salário mínimo ou menos.
  • Outro exemplo: exigir que a Petrobras seja fornecida com produtos nacionais reativou a indústria naval brasileira. 
  • Ainda que a princípio signifique um maior custo à estatal (portanto menores lucros aos acionistas), os benefícios para o Brasil são evidentes:
    • Fortalecimento da indústria (que gera)   
      • Maiores investimentos no Brasil  (que gera)
        • Maior oferta de trabalho (que gera)
          • Diminuição da desigualdade social  (que gera)
            • Maior produção interna e maiores lucros ao Brasil (que gera)
      • Maiores investimentos no Brasil (... )  (fechando um círculo virtuoso!!)

  • Aliás, uma das grandes virtudes do atual governo é justamente a DIMINUIÇÃO DA DESIGUALDADE SOCIAL.
  • O Brasil pela primeira vez vislumbra uma queda na desigualdade social e, mantendo o ritmo atual, em 12 anos teremos uma desigualdade social equivalente à desigualdade social dos EUA de hoje



  • Quero enfatizar: a política representada pelo Aécio irá priorizar o lucro máximo. E me parece evidente que utilizar a lógica do lucro máximo para as áreas fundamentais do bem estar, como o sistema de transporte, p. ex., será calamitoso, desastroso. 
  • Para o sistema de saúde, educação, idem. 
  • Porque elas são estruturas que se gerarem lucro (ainda mais o lucro máximo!), não servirão da melhor maneira à sociedade – aliás, não servirão de forma alguma à sociedade. (como no exemplo da SABESP acima)


Assim, eu não consigo ver que não há diferenças... as diferenças me parecem gritantes.

Como o meu "Estado ideal" é aquele que tem um Estado do Bem Estar Social bastante desenvolvido, (os países Nórdicos se aproximam bastante, por exemplo), nesse 2o turno eu voto Dilma, porque ela está mais próxima desse Estado.


Sobre as duas vertentes políticas possíveis, interessante artigo no "Le Diplomatique" :
http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=1601

POLÍTICA EXTERNA



  • Nos últimos 12 anos, o Brasil vem desenvolvendo uma política externa com prioridade nas relações do chamado SUL-SUL, que são acordos e aumento da parceria com outros países periféricos
  • Nesse contexto que se formou a
    1)  UNASUL,
    2)   os BRICS,
    3)  o banco do BRICS (que sofreu – e sofre – grande resistência dos EUA, pelo papel estratégico desse banco) ,
    4)  o fortalecimento do Mercosul,
    5)  participação ativa do Brasil na África,
    etc.
  • Essa política propiciou ao Brasil uma independência econômica relativa dos países centrais, que permitiu enfrentar a maior crise dos países ricos desde a quebra da bolsa de NY em 1929, de forma bastante tranquila.
(O desemprego na Espanha, Portugal e Grécia chegaram a incríveis 40%. Aqui está em 5% - uma das menores da história)

  • Ainda assim, em termos absolutos o Brasil aumentou a participação econômica com os países centrais, mas como teve um aumento estrondoso de participação econômica com os países periféricos, a participação RELATIVA com os países centrais diminuiu. (Ou seja, manteve-se relações comerciais com o MUNDO - e não com alguns países, como desejam esses próprios países.

É sempre bom lembrar do enorme reconhecimento internacional das políticas externas brasileiras dos últimos 12 anos. (Eleição do Roberto Azevedo para diretor geral da OMC, consagração do ministro Celso Amorim como chanceler de maior destaque internacional, fortalecimento do Mercosul, criação do banco dos BRICS, etc.)



  • O Aécio está na contramão dessa política. Defende uma política externa alinhada com os interesses dos países centrais – especialmente com os EUA.
  • Prega, por exemplo, a participação do Brasil na aliança de livre-comércio do Pacífico Sul, (tipo a ALCA, mas por enquanto com os México, Colômbia, Peru e Chile com os EUA )
  • Defender o livre-comércio, como estabelecido na aliança do pacífico, é eliminar qualquer possibilidade do Brasil de se colocar como um ator global de importância.

(Os países centrais estabeleceram políticas protecionistas até o pleno desenvolvimento de suas indústrias, e agora exigem que os outros países abram seus mercados. Um interessante ensaio sobre o assunto chama-se “Chutando a escada”.
 A Inglaterra, por exemplo, decretou em 1651 o “atos de navegação”, que impunha que somente os navios ingleses poderiam importar produtos para a Inglaterra, o que marcou o inicio do domínio dos mares pelos ingleses. )

  • Inclusive o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães demonstrou que o ingresso do Brasil na Aliança do Pacífico Sul significará o fim do Mercosul.
(Confira:)



  • Em outras palavras, o Aécio prega uma política externa submissa aos interesses das potenciais internacionais e pretensamente impositiva às economias dos países ainda mais subdesenvolvidos que o Brasil.
  • A Dilma está no caminho inverso, de estabelecer uma política externa independente das grandes potências mas pragmática e priorizando o chamado SUL-SUL.



Como eu acredito que o Brasil pode ser grande, independente e fundamental para o desenvolvimento periférico do mundo,

no 2o turno meu voto é na Dilma.




CORRUPÇÃO


Acho bastante risível quem se vale dessa artimanha para justificar seu voto, considerando:

  1. Que a disputa está entre o PSDB e o PT
  2. Que o nosso sistema político é a causa da corrupção generalizada.
Ou seja, não se trata de escolher entre alguma organização política que conseguiu subverter o sistema e chega incólume ao 2o turno. Ambos os lados se valem das falhas legislativas para benefício próprio. O que não significa que tenham o mesmo plano de governo, a mesma forma de governar, etc...  

Mas se você é um desses leitores ( e elitores!!! hehe) que prezam pelas querelas  (a um estilo de torcidas organizadas... só que na política), saiba que a grande mídia tem um lado (do sistema financeiro, lucro máximo etc,) e portanto fará de tudo para te convencer que o problema é do partido que ela é contra.

(Confira aqui: http://www.manchetometro.com.br/ )


Mas como você chegou até aqui, tenho certeza que você é ávido por informação.
Eis aqui um bom exemplo de como a corrupção é sistêmica:

  • casos de corrupção:
    • Cartel da CPTM/Metro (Trensalão tucano): entre R$577mi e mais de R$2 BI (dependendo da fonte)
    • Caixa 2 do PT (Mensalão): entre $55mi e R$146mi (Dependendo da fonte)

( e só pra não ficar apenas criticando o Estado)
    • Sonegação da Globo com a copa de 2002: R$615mi ( R$2BILHÕES em valores atualizados - 2014 )
Porque é evidente que o problema é sistêmico, eu apoio a convocação da assembleia constituinte exclusiva, para rever as “regras do jogo”.



Mas pelos outros motivos aqui expostos, eu apoio a Dilma.




Bom dia....

e boa sorte!


.

domingo, 23 de junho de 2013

o quebra-cabeça

Caros amigos,

Há tempos não escrevo. Mas o assunto é de urgência importância!!
Nada menos que as maiores manifestações populares que o Brasil já viveu!


Eis algumas peças do quebra-cabeça

  - O país Brasil foi inventado em 1822. Tem 191 anos.

  - 67 anos monárquicos (um poder prevalecia)

  - 41 anos de uma república oligárquica (domínio da elite cafeeira). Existiam eleições, mas a descoberto (votos abertos),  facilmente controladas pelos coronéis. Existia um pacto entre o governo federal e os estaduais – política dos governadores. E ainda, se houvesse por um acaso assim, muito grande, algum movimento popular que conseguisse superar toda essa dominação e eleger um deputado, esse deputado certamente não escaparia da “degola” da Comissão Verificadora de Poder (comissão que validava a eleição). A isso se convencionou chamar (erroneamente) de república,  mas com um paliativo: oligárquica. República oligárquica. Ou República Velha.

  - 15 anos de ditadura

  - 19 anos de república dita populista. Um período relâmpago, inciado por um presidente de extrema direita (que inclusive aboliu o partido comunista, em plena democracia. Oi?), que vagarosamente caminhou para a esquerda progressista: foi seguido pelo GV – e a criação das gigantes estatais, JK – e o plano de metas 50 anos em 5, e João Goulart, com suas reformas de base.

  - Mais 21 anos de ditadura – dessa vez, militar.

  - 5 anos de preparos para a democratização... (Tancredo Neves/José Sarney eleito indiretamente)

  - E, por fim, 23 anos com a república que conhecemos.


  - Ou seja: dos 191 anos do Brasil, 103 anos foram de ditadura, absolutismo!

  - 5 anos de preparação(?) para a redemocratização (presidente eleito indiretamente)

  - 41 anos de uma oligarquia  (república disfarçada, dominada pela elite: qualquer semelhança é mera coincidência)

  - e os nossos parcos 23 anos de república contemporânea.

Nossa democracia é recente, frágil! Somos um país historicamente autoritário.


E estamos todos perguntando: o q está acontecendo? E aonde isso vai dar?


Bom... eu não sei.


Mas sei que na república velha, em 1904, portanto 15 anos após a instauração dessa república oligárquica, acontecia a revolta da vacina.

Foi no governo de Rodrigues Alves.

  - Rodrigues Alves foi o presidente da república velha que teve seu governo marcado pelo “quadriênio  progressistas” - 4 anos de desenvolvimento! Investiu em ferrovias, portos, urbanização e saneamento urbanos. Com a vacinação pública, pretendia-se acabar com a febre amarela e com a varíola.

  - A vacinação não foi aceita popularmente.... e o governo tomou uma atitude impopular: obrigou a vacinação das pessoas.

  - As pessoas saíram nas ruas... “Não nos obrigarão a tomar a vacina!!!”
Algum Arnaldo Jabor de época, diria: facínoras, calhordas, ululantes, mentecaptos!!!

  - E, se fosse hoje, pipocaria nas redes virtuais: “Não é só a imposição da vacina.... é muito mais que isso! É a imposição dessa política ridícula... não conseguirmos eleger deputados, essa ridícula Comissão Verificadora do Poder... o voto não ser secreto... o governo gastar absurdos para valorizar o café... E vossa mercê  a pensar que é “só a imposição da vacina” ?? Rampeiros...


  - Mas …

  - não foi hoje.

   - E a revolta da vacina foi rapidamente dominada.


  - Sei também que, apenas 22 anos depois da revolta da Vacina, em 1926, Washington Luis tomava posse como presidente.

  - O governo anterior – Arthur Bernardes – havia relegado os problemas do café aos estados!

  - W. Luis se livrou dos compromissos com os governadores extinguindo a “políticas dos governadores”.

  - Em 1929, com a crise da quebra da bolsa, negou socorro aos cafeicultores (o problema era dos estados!)

  - Também não se submeteu à política do 'café com leite', e indicou presidente contrário ao acordo.

  - Ou seja, Washington Luis desbundou com todos os principais agentes políticos da época: a elite.

  - A elite iria perder o governo?

  - Não.

  - Em 1930 houve um golpe.

...

  - Os agentes políticos tradicionalmente de direita, pouco aparecem.... Mas detém forças incríveis. Esse golpe foi bastante apoiado pela extrema direita, os integralistas, que posteriormente também foram alijados da ditadura. (Se você não compreende bem o que significa esquerda e direita nos dias de hoje, mesmo em movimentos apartidários, veja este vídeo.)

  - Em tempo: Não acho o governo de Washington Luis bom, apesar de ter sido acertadamente contrário às forças políticas da época. Ele tinha como principal lema construir estradas. Minha visão de urbanista é bem mais favorável às ferrovias. Além disso, ele promoveu repressões violentas à esquerda da época, o que sou veementemente contrário.


  No que tange ao enfrentamento desses agente políticos, da elite, situação similar aconteceu em 1964. João Goulart era o presidente.

  - J. Goulart insistia nas “reformas de base” (reforma agrária,fiscal, administrativas, eleitorais, etc).

  - Multidões o apoiavam, como no comício de 13/03/1964.

  - O então presidente peitava os agente políticos ocultos, os principais setores conservadores, os detentores do poder econômico.

  - A elite iria perder o governo?

  - Não.

  - Em 1964 houve outro golpe.

  - Golpe que também foi apoiado pela direita conservadora.... e festejada pela mídia que permanece aí até hoje. Folha, Estadão, Globo.... (veja manifestações dessas mídias aqui:  )



2013
  - Os agentes político econômicos da nossa geração estão mais complexos, elaborados.

  - Vejamos alguns importantes:
 
  - 1. Temos uma máfia dos transporte público. Elegem prefeitos e conseguem governos em causa própria. Instauram transportes ineficientes, por serem mais lucrativos.
Por isso, somos inundados com transportes ruins, ineficientes e caros (o dono da Gol linhas aéreas conseguiu criar essa empresa apenas explorando o transporte público de São Paulo). Veja esta interessante entrevista com a urbanista Raquel Rolnik, sobre transporte público.

  - 2. As grandes empreiteiras conseguem leis permissivas que aumentam exponencialmente seus lucros através de projetos nefastos, ruins e urbanisticamente degradantes.

  - 3. Agentes econômicos baseados no status quo, no consumismo e relações bancárias.

   - 4. Um mundo europeu e estadounidense sedento pelas suas antigas colônias, especialmente nesse momento de crise.

Os primeiros afrontamentos à esses agentes políticos (elite):

  - (ao 4.) O Brasil, no campo externo, insiste em agrupamentos que rivalizam com os países centrais (as antigas e novas “metrópoles”): BRICS, IBAS, UNASUL, CELAC, dentre outros.

  - (ao 3.) Uma política incipiente de valorização dos setores produtivos – com as quedas de juros, a imposição da Petrobras comprar bens industriais navais brasileiros, etc

E chegam as manifestações!!!

  - (ao 2.) A primeira indicação do que estaria além dos R$0,20 surge nas primeiras passeatas: o dinheiraço gasto com a copa

  - (ao 1.) A grande vitória para as manifestações, lideradas pelo MPL: é revogado o aumento das tarifas e se instaura uma pauta de discussão do transporte público.

Ahh... As manifestações. As manifestações tiveram início claramente de viés esquerdista: direito a um transporte público e de qualidade.

  - A princípio, outro agente político importantíssimo,  a velha mídia tradicional (5.),   foi contra. (não se engane: é a Globo, Veja, Folha, etc) . Veja o Jabor aqui, o editorial da Folha de S. Paulo aqui,  e o do Estado de São Paulo aqui.

  - Após claro apoio massivo populacional, rapidamente muda de lado... E em seguida vem a onda da direita.

-  (foram apoiadas pela mídia? Máfia dos transportes? Empreiteiras?Agentes políticos estrangeiros? Será  a famigerada elite econômica?)

-  Difícil dizer... Mas a história condena!

  - Atacam as reivindicações de esquerda, as bandeiras vermelhas odiosas, não importando que esses partidos estavam junto com as manifestações desde sempre, desde antes do A. Jabor comparar as manifestações com aquele grupo criminoso das prisões.

  - Sim, o movimento MPL é apartidário! Mas as forças políticas favoráveis a causa sempre foram bem vindas. (Veja a entrevista do MPL no Roda Viva aqui.)

  - A mídia cirurgicamente míope divulga manifestações “anti-partidárias” ou melhor “anti-partidos de esquerda”, travestidas de apartidárias. (É a mesma mídia "esquizofrênica" que diz defender a liberdade de expressão.)

  - Surgem frases como: “Não queremos comunismo!” (Sério, essa foi articulada por algum agente da CIA que foi congelado em 1964 e acordou em 2013.)


  - E agora?


  Temos a possibilidade de enfrentar essa elite:

  - As empreiteiras: com investigações sérias nas construções para a Copa

  - A máfia dos transporte público, com o plano nacional de mobilidade urbana com foco em TRANSPORTE PÚBLICO DE QUALIDADE

  - E, ainda, transformar de fato o Brasil: com 100% DO PETRÓLEO INDO PARA A EDUCAÇÃO

  - E mais: a chance única de emplacar uma reforma política mais representativa. (COMO GARANTE A CONSTITUIÇÃO).


Mas e aí...

A elite vai perder o governo?

terça-feira, 25 de maio de 2010

25% de investimento e 100% de lucro.... que papelão, heim?!

Caros amigos,

- Bom dia!!! E haja sorte...

- O Metrô de São Paulo linha amarela foi inaugurado hoje, com 2 anos de atrasos, 7 mortes na sua construção e com 2 estações apenas.

- Segundo consta foi investido 3,8 bi (mais ou menos o mesmo gasto na última reforma às pressas na marginal tiete, que além de tudo, não resolve nada e ainda piora bastante coisa)

- Desses 3,8 bi, 75% foi gasto pelo governo.

- Ou seja, apenas 25 % foi gasto pelo consórcio privado

- E, quando for inaugurado - com trens sem motoristas (tecnlogia paga 75% pelo governo) o consórcio tirará incríveis 100% do lucro das catracas, durante incríveis 30 anos!

- 100% de lucro.... 25% de investimento...

- tudo acertado e assinado na gestão do Geraldo Alckmin

- a tal da ppp - parceria público privada:
O Governo entra com 75% dos gastos.... e 0,00% dos lucros... a empresa com 25% dos gastos, e 100% dos lucros...

- que parceirão esse governo, heim?!






quarta-feira, 28 de abril de 2010

eleições 2010

Caros amigos,

Estou sem tempo de escrever  sobre tudo o que vem acontecendo nos últimos dias... Certamente discutir isso faz toda a diferença.

Mas por enquanto, para fomentar a discussão vindoura!!(hehe), separei 3 reportagens interessantes, sobre a Veja e algumas das idéias do candidato J. Serra:


Em relação às capas da VEJA, clique aqui para ler artigo no Observatório da Imprensa.



Em relação ao Serra e o Mercosul, clique aqui para ler artigo do cientista político Renato Martins, na Carta Maior.


e em relação ao Serra e a ALCA ...(!), clique aqui para ler artigo do Marco Aurélio Weissheimer, sem seu blog RS Urgente.



Bom dia... e boa sorte!!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

entrevista com Celso Amorim sugerida por Henrique Siqueira

O rato de fórum, blogueiro, phd em Googlar e ainda arquiteto urbanista formado pela USP Henrique Siqueira, enviou a seguinte entrevista com o chanceler Celso Amorim.
Muito boa! vale a pena ler!!


divirtam-se:


Mensagem novaEnviada: Segunda-Feira 26 Abr 2010 9:17 Assunto:Responder com Citação Editar/Remover esta mensagem Remover esta mensagem Ver o IP do Utilizador

Chanceler brasileiro defende posição do País na crise hondurenha, fala sobre sua filiação ao PT e rebate as críticas de que o governo Lula partidarizou a diplomacia brasileira

Roberto Simon

Ele está a 132 dias de bater o recorde de José Maria da Silva Paranhos Júnior, o barão do Rio Branco, maior mito da diplomacia brasileira. Quando terminar o governo Lula, Celso Amorim será o chanceler que mais tempo esteve à frente do Itamaraty. Em entrevista ao Estado, ele defendeu a posição do Brasil durante a crise hondurenha, falou sobre sua filiação ao PT e disse que estão “equivocados” os que acham que o País está isolado na questão nuclear iraniana. A seguir, os principais trechos da conversa com o chanceler brasileiro.

Por que o sr, diplomata de carreira e chanceler, decidiu se filiar ao PT?


Estou terminando minha gestão no Itamaraty. Sou diplomata aposentado, além do mais. Mas aposentadoria não é a morte. Interesso-me por política – isso não significa que serei candidato. Se quisesse, teria sido agora. Quero ter um envolvimento na política e me identifico mais com o PT. A maioria dos meus antecessores, com exceção do governo militar, pertenciam a partidos.

Mas não diplomatas de carreira.

Não penso assim. Veja meu antecessor, Celso Lafer. Foi tesoureiro de campanha do PSDB. Roberto Campos, diplomata de carreira, não foi chanceler, mas foi ministro. Sinceramente, isso é um não-assunto.

O sr. seria chanceler em um eventual governo Dilma Rousseff?


Não sei, não tenho mais ambições. Pretendo levar da melhor maneira esse período final do governo, ao qual me orgulho de ter servido.

Seus críticos reclamam da “”partidarização”" da diplomacia, dizem que a agenda do PT está ofuscando tradicionais objetivos do Itamaraty.

Primeiro, o governo não é só o PT, mas o PT dentro de uma coligação. Eu, aliás, fico muito satisfeito quando vou ao Senado e à Câmara e – tirando esse período eleitoral – recebo muitos elogios.

Mas, da última vez, dois da membros oposição bateram boca com o sr.


É porque estamos em ano eleitoral. Respeito a opinião dos outros, não estou dizendo que estão certos ou errados. Há alguma diferença de concepção quanto à diplomacia, mas a maior distinção é que nós não nos limitamos a falar. Nós fizemos.

Há reclamações de uma afinidade excessiva da atual política externa com países como Venezuela e Cuba. O sr. discorda?

Não vejo isso de maneira tão dramática. Fui ministro do presidente Itamar (Franco) e levei a Cuba uma carta dele sobre certos temas. O próprio governo Fernando Henrique Cardoso teve uma cooperação razoável com Cuba.

Agora parece ser diferente. Na última visita a Havana, Lula comparou prisioneiros de consciência cubanos como criminosos comuns brasileiros.

Já comentei o que tinha de comentar a esse respeito. O presidente fez uma autocrítica em relação à greve de fome que fez em São Bernardo. Agora, cá entre nós, quando houve greve de fome na Irlanda do Norte ninguém nos pediu para romper com a Grã-Bretanha. Há maneiras de agir. É muito fácil fazer condenações e colocar um diploma na parede. O difícil é contribuir efetivamente para uma melhora.

Mas, ao comparar presos de consciência com criminosos comuns, o presidente não dá um voto de legitimidade ao sistema cubano?


Não vejo que ele tenha feito a comparação entre uns e outros. O presidente comparou situações. Cada um tem seu estilo, suas metáforas.

Outra frase do presidente Lula que marcou muito foi a de que os protestos, no Irã, contra a eleição de junho, eram “choro de perdedor, como uma coisa entre vascaínos e flamenguistas”.

Vocês querem que eu comente o estilo do presidente. Esse estilo é apoiado por 85% dos brasileiros. O que interessa é que o Brasil não vai intervir em um tema interno iraniano e irá se relacionar de Estado para Estado com o Irã.

Mas, novamente, não foi uma intervenção? Não estaria Lula legitimando uma eleição amplamente contestada?

Não acho, de forma nenhuma, que seja uma intervenção. Reflete a experiência dele diante de coisas que assistiu no Brasil. Seria muito pretensioso, nesse caso específico, achar que teríamos alguma influência. O que temos procurado trabalhar com o Irã é o caso do dossiê nuclear.

Antes de falar sobre o programa nuclear, o sr. considera a questão de direitos humanos no Irã um empecilho para a aproximação do Brasil com Teerã?

O ideal é que o mundo todo fosse feito de democracias. De preferência com um componente social, como a nossa. Mas não é assim. Não vou responder a sua pergunta como você quer e a recoloco: a ausência de democracia é empecilho para os EUA – país que seu jornal mais admira, e eu também – estabelecer relações com alguém? Pergunte a um ministro americano se ele pensa em romper laços por causa de violações de direitos humanos.

O caso iraniano é bem particular. O Irã caminha desde junho para uma ditadura brutal, com repressão na rua e a Guarda Revolucionária tomando de assalto o país. Nesse contexto se dá a aproximação brasileira.

Não vejo da forma que você coloca. O Irã é formado por circunstâncias diversas, que vêm desde a traumática ruptura com os EUA.

Sobre o dossiê nuclear do Irã, há em paralelo um programa balístico e todos sabem que Teerã fez uma usina secreta em Qom…

Não defendemos nada disso. Queremos o que (o presidente Barack) Obama defendia até pouco tempo, mas parece estar desiludido. Tudo isso que você estava enumerando já existia. O que há de novo é uma proposta da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) para a troca de urânio levemente enriquecido por elementos combustíveis para o reator de pesquisa de Teerã. Achamos que ainda é possível trabalhar sobre a proposta – assim como os turcos, membros da Otan e vizinhos do Irã, provavelmente os últimos a querer uma bomba iraniana. Chamam-nos de ingênuos, mas acho muito mais ingênuos os que acreditam em tudo o que o serviço de inteligência americano fala. Veja o caso do Iraque. O último relatório da AIEA sobre o Irã não traz fato novo. O que tem é um novo tom, pois mudou o diretor-geral. Converso com muita gente e não vejo o Irã perto de fazer uma bomba. A maioria dos analistas tampouco acredita que isso está próximo.

O artigo de capa da última “Foreign Affairs”, prestigiada revista de especialistas, diz exatamente o oposto.

Mas isso virou uma polêmica ideológica. Um artigo publicado nos EUA colocava a estimativa mínima entre três e cinco anos para se obter uma bomba. Supondo ainda que eles queiram fazer. Não estou dizendo que eles querem ou não. Mas é possível fazer um acordo que dê conforto relativo – pois absoluto não há – de que o Irã não terá um arsenal nuclear mínimo a médio prazo, ao mesmo tempo respeitando o direito iraniano de ter energia nuclear para fins pacíficos. É absurdo achar que o Brasil é pró-Irã. Veja o que diz (Thomas) Pickering, que trabalhou com a (ex-secretária de Estado dos EUA) Madeleine Albright, ou o (ex-conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Zbigniew) Brzezinski. Outro dia até o Estadão publicou um artigo – fiquei feliz – defendendo a mesma coisa que nós. Dizer que Pickering é pró-Irã é estar no mundo da Lua, sinceramente.

Ahmadinejad fechou um acordo com AIEA e depois recuou. Como o sr. vê esse vaivém?

Os EUA também chegaram a condenar Honduras na OEA e depois recuaram, porque senadores não confirmavam um embaixador.

São situações comparáveis?

Claro que não. Estou dizendo que em todos os lugares há posições variadas. O Irã, independentemente do julgamento de valor, certamente tem um sistema político plural.

Não é o que pensam os dissidentes iranianos, sobretudo desde junho.


Um dos primeiros a condenar o acordo com a AIEA foi o (líder da oposição Mir Hossein) Mousavi. O Irã tem um sistema plural, apesar de todas as suas limitações. Não estou falando que é a democracia pluralista que queremos. Acho, honestamente, que o Irã devia ter aceito a oferta da AIEA que permitia o enriquecimento. Mas não é porque recusaram que diremos “então está bem, vamos para guerra”. Ou “vamos para sanções”, que podem não ter efeito ou punir a população.

Então, se uma resolução nos atuais termos vier, o Brasil votará contra.

Não darei essa informação. Ainda temos de analisar.

O vice-presidente José Alencar afirmou que uma bomba iraniana só teria fins defensivos. O sr. concorda?

Você só me pergunta sobre o que os outros dizem (risos). Respeito muito o vice-presidente e não comentarei. Surpreende-me a falta de informação. Achar que o Brasil é pró-Irã ou que está isolado é totalmente falso. Nem deveria invocar esses exemplos, mas como é tão importante para um certo grupo da elite brasileira saber o que os outros pensam… Outro dia na TV disseram que Honduras foi um “tropeço” nosso. Não vejo absolutamente nenhum tropeço nesse caso. Aliás, nossas posições públicas foram iguais às dos EUA. Eles nunca abriram a boca para nos criticar por dar abrigo ao (presidente Manuel) Zelaya. Só a mídia nacional e alguns políticos fizeram isso.

Hoje, olhando para trás, o sr. avalia que a decisão de abrigar Zelaya beneficiou a crise hondurenha?

Foi corretíssima, positiva para a coerência do Brasil. É espantoso que jornais que foram obrigados a publicar receita de bolo em suas páginas por causa da censura de um governo militar achem justificável um golpe de Estado. Isso me espanta. Houve um erro e não devemos permitir que ele sirva de exemplo. Aliás, mutatis mutandis, o golpe hondurenho se assemelha muito ao de 1964. Todo mundo diz que o Brasil cometeu um fiasco, como se não fosse correto dar abrigo a um presidente legitimamente eleito, tirado de sua casa na ponta de um fuzil.

Nenhum grande jornal do Brasil defendeu o golpe. Para o “Estado”, o novo regime era “governo de facto”. O que se questionou foi, por exemplo, o fato de Zelaya convocar uma “insurreição” – foi essa a palavra usada – de dentro da embaixada brasileira.

O que você queria que eu fizesse? Pegasse o Zelaya e botasse na rua? Aí sim teríamos uma chance de guerra civil. Chegamos para ele e dissemos “você fica, mas não fale mais isso”. Eu, pessoalmente, disse a ele: “Presidente, por favor não use a palavra morte”. E ele respeitou. Enviados americanos iam à embaixada brasileira falar com Zelaya. Só se chegou a uma conclusão – que, certamente, não foi a ideal – porque abrigamos Zelaya.

Recentemente, a revista “Foreign Policy” afirmou que o sr. é o “Henry Kissinger brasileiro”. Como o sr. vê a comparação?

Não tenho o brilhantismo do professor Kissinger (risos). E ainda acho que sou um pouco mais idealista do que ele.

Fonte: O Estado de São Paulo via Notimp
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segunda-feira, 29 de março de 2010

vídeos que todos precisavam ver!!

Dani - especial pra você:

Os vídeos que te falei nesse fim de semana!

Um beijo.


"Jose Arruda (ex-DEM) quando deveria ter sido preso pela primeira vez. (mas renunciou (!), e na eleição seguinte foi eleito governador do Distrito Federal)"





bom dia.... e boa sorte!!



sexta-feira, 26 de março de 2010

o petróleo do Brasil e o do RJ...

Já que a discussão na mídia está muito pouco racional, vamos fazer uma aqui!!


Eu ainda nao entendi esse negócio da emenda direito.

Vi uma entrevista com o deputado Ibsen, e me pareceu bem razoável seus argumentos. E também vi uma comentarista carioca falando do pq em sao paulo ainda não ter repercutido negativamente tanto quando no rio: ela disse q em s paulo vai doer no bolso no futuro, e nao agora. Entao "S Paulo tb vai perder... e muito!! no futuro".

Se estamos falando do futuro, não se trata de mudar as regras no meio do jogo. E se estamos falando de legislação, não há como não mudar as coisas.... sem mudar as coisas!!


E as desculpas de q um estado produtor deve ser 'recompensado' por "ter q explorar petróleo".... são absurdas.... só o privilégio de ter petróleo sendo explorado na sua costa gera um fomento à economia que são inigualáveis! portos, estradas de ferro, consumo de energia, movimentação de pessoas, hotelaria... etc... .... oras!! que não me venham com xurumelas!!!!

E o argumento de que isso é uma prática mundial tb é fraquíssimo, pra se dizer o mínimo.

Essa prática mundial criou estados como Maracaibo na Venezuela, e a parte oriental da Bolívia (nesse caso, pelo gás).... que incita a desigualdade e o preconceito dentro de uma nação... Sem considerar o Oriente Médio, que é a região rica mais pobre do mundo!!

O risco de criarmos as mesmas condições está, nesse momento, muito alta.

Ou eu não percebi alguma coisa importante nesse entremeio?

quarta-feira, 17 de março de 2010

O petróleo e o Brasil

O Petróleo que a Petrobras vai tirar do alto mar é brasileiro ?

... ou é carioca?

terça-feira, 9 de março de 2010

Manifesto pela defesa da Reforma Agrária

- Caros amigos!

- Diante dos cada vez mais constantes ataques à Reforma Agrária pelos mesmos personagens que pregam a defesa do capitalismo pleno e "se esquecem" que a concentração de terra é contra-produtiva no próprio capitalismo pleno

- Essas mesmas pessoas que costumam se espelhar nos países centrais, mas que escondem a reforma agrária que esses fizeram

- E que fazem 'vista grossa' para todos os crimes e assassinatos cometidos contra os 'sem-terra' e que nunca foram julgado

- E que querem criminalizar o maior movimento organizado de reforma agrária de forma generalizada

- E que recebem todo o apoio da mídia (que diga-se de passagem se estabeleceu e se fortaleceu no Brasil durante o regime ditatorial militar)

- Diante disso tudo, alguns jornalistas fizeram um manifesto interessante:


Manifesto - Denuncie a ofensiva dos setores conservadores contra a reforma agrária!

Está em curso uma ofensiva conservadora no Brasil contra a reforma agrária, e contra qualquer movimento que combata a desigualdade e a concentração de terra e renda. E você não precisa concordar com tudo que o MST faz para compreender o que está em jogo.

Uma campanha orquestrada foi iniciada por setores da chamada “grande imprensa brasileira” – associados a interesses de latifundiários, grileiros - e parcelas do Poder Judiciário. E chegou rapidamente ao Congresso Nacional, onde uma CPMI foi aberta com o objetivo de constranger aqueles que lutam pela reforma agrária.

A imagem de um trator a derrubar laranjais no interior paulista, numa fazenda grilada, roubada da União, correu o país no fim do ano passado, numa campanha claramente orquestrada. Agricultores miseráveis foram presos, humilhados. Seriam os responsáveis pelo "grave atentado". A polícia trabalhou rápido, produzindo um espetáculo que foi parar nas telas da TV e nas páginas dos jornais. O recado parece ser: quem defende reforma agrária é "bandido", é "marginal". Exemplo claro de “criminalização” dos movimentos sociais.

Quem comanda essa campanha tem dois objetivos: impedir que o governo federal estabeleça novos parâmetros para a reforma agrária (depois de três décadas, o governo planeja rever os “índices de produtividade” que ajudam a determinar quando uma fazenda pode ser desapropriada); e “provar” que os que derrubaram pés de laranja são responsáveis pela “violência no campo”.

Trata-se de grave distorção.

Mal comparando, seria como se, na África do Sul do Apartheid, um manifestante negro atirasse uma pedra contra a vitrine de uma loja onde só brancos podiam entrar. A mídia sul-africana iniciaria então uma campanha para provar que a fonte de toda a violência não era o regime racista, mas o pobre manifestante que atirou a pedra.

No Brasil, é nesse pé que estamos: a violência no campo não é resultado de injustiças históricas que fortaleceram o latifúndio, mas é causada por quem luta para reduzir essas injustiças. Não faz o menor sentido...

A violência no campo tem um nome: latifúndio. Mas isso você dificilmente vai ver na TV. A violência e a impunidade no campo podem ser traduzidas em números: mais de 1500 agricultores foram assassinados nos últimos 25 anos. Detalhe: levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT) mostra que dois terços dos homicídios no campo nem chegam a ser investigados. Mandantes (normalmente grandes fazendeiros) e seus pistoleiros permanecem impunes.

Uma coisa é certa: a reforma agrária interessa ao Brasil. Interessa a todo o povo brasileiro, aos movimentos sociais do campo, aos trabalhadores rurais e ao MST. A reforma agrária interessa também aos que se envergonham com os acampamentos de lona na beira das estradas brasileiras: ali, vive gente expulsa da terra, sem um canto para plantar - nesse país imenso e rico, mas ainda dominado pelo latifúndio.

A reforma agrária interessa, ainda, a quem percebe que a violência urbana se explica – em parte – pelo deslocamento desorganizado de populações que são expulsas da terra e obrigadas a viver em condições medievais, nas periferias das grandes cidades.

Por isso, repetimos: independente de concordarmos ou não com determinadas ações daqueles que vivem anos e anos embaixo da lona preta na beira de estradas, estamos em um momento decisivo e precisamos defender a reforma agrária.

Se você é um democrata, talvez já tenha percebido que os ataques coordenados contra o MST fazem parte de uma ofensiva maior contra qualquer entidade ou cidadão que lutem por democracia e por um Brasil mais justo.

Se você pensa assim, compareça ao Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, no próximo dia 11 de março, e venha refletir com a gente:

- por que tanto ódio contra quem pede, simplesmente, que a terra seja dividida?

- como reagir a essa campanha infame no Congresso e na mídia?

- como travar a batalha da comunicação, para defender a reforma agrária no Brasil?

É o convite que fazemos a você.

Assinam:

Altamiro Borges

Antonio Martins

Dênis de Moraes

Hamilton Octavio de Souza

Igor Fuser

João Brant

João Franzin

Jorge Pereira Filho

José Arbex Jr

Laurindo Lalo Leal Filho

Luiz Carlos Azenha

Renato Rovai

Rodrigo Savazoni

Rodrigo Vianna

Sérgio Gomes

Vânia Alves

Verena Glass


- O problema, caros amigos, é que o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) é um dos grandes latifundiários do Brasil.....

- Veja, nesse vídeo, nas entrelinhas, como o Ministro Joaquim Barbosa afirma:" Vossa excelência não está falando com um dos seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar"




Bom dia.... e boa sorte!



fonte:

O escrevinhador - blog de Rodrigo Vianna (http://www.rodrigovianna.com.br/plenos-poderes/como-barrar-a-ofensiva-dos-latifundiarios-no-brasil)

site youtube (www.youtube.com)



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